Conto:
Beto
Flúvia Félix
Beto é um senhor de meia
idade, mecânico e que abominava bares e festas regadas a bebidas. Chamava esses
lugares de moradas do capeta.
Ele tinha uma história de
família complicada, assim como todos ao seu redor.
Na juventude seu Beto era o
Betão para as garotas e amigos e Betinho para dona Cecília sua mãe-avó. Ele foi
criado pela avó, pois sua mãe sumiu no mundo com uma amiga, foram para os
esteitis e nunca mandou notícias. Seu pai morreu de cirrose cedo.
A dona Cecília, trabalhava na
feira noite e dia para dar o de bom e de melhor para seu Betinho. No início
tudo ia bem, mas com a chegada da adolescência começa às dificuldades e as
dores de cabeça para dona Cecília. Pobre mulher.
Na família dos De Paula há uma
tradição de passar algo de valor para a próxima geração que seria uma maneira
de manter a família unida. Bem, com dona Cecília o seu "legado" era
um anel de rubi que seria passado para o seu Betinho quando este atingisse a
maturidade e este para seus descendentes.
O problema é que o anel foi
roubado e seu Beto não tinha um legado para passar adiante.
Seu Beto, hoje um senhor de
certa idade e um tanto amargurado pela vida sempre vai a igreja de São Jorge
acender uma vela religiosamente aos domingos e fica ali rezando e as vezes
podemos vê-lo chorando silenciosamente. As beatas o olham com admiração e
respeito e o julgam um devoto sem igual a nem um naquela paróquia, claro o
padre não entra na comparação.
Mau sabem as más línguas que
aquela vela e o choro eram porque seu Beto o mecânico sistemático e conservador
amargurava em seu peito o remorso por ter sido um jovem inconsequente e se
culpa pela morte de sua mãe dona Cecília.
Dona Cecília morreu do coração
em idade avançada, isso era que todos sabiam. Mas para seu Beto, ela morreu foi
de desgosto, por que ele, o seu amado filho-neto trilhou o caminho do mau.
Por um tris, ele não foi para
a terra dos pés juntos, pois devia para seu traficante uma bela soma e, para pagá-la
ele roubou o legado de sua amada mãe.
Quando ele voltou no outro dia
com o rabo entre as pernas, o circo já estava armado. Sua mãe estava fria e
esticada no caixão doado pela prefeitura.
Ver aquela cena o tocou de uma
forma que ele virou do avesso e o Betão ou Betinho deixou de existir naquele
dia.
Ele gastou tempo, esforço e
arranjou dinheiro para tentar recuperar o legado de sua avó, e todas as suas
tentativas não deram em nada.
E todo domingo ele acende uma
vela e conta a sua querida avó que ele ainda não encontrou o anel.
2 comentários:
Muito bom!
Gostei !
Postar um comentário