segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Conto: IRENE

IRENE

Flúvia Félix

Tudo é ficção.

Irene é professora há muito tempo e perdeu o entusiasmo pela educação, devido à falta de respeito, violência, empatia, solidariedade, enfim o ideal de civilidade humana se perdeu.

Todos os dias da semana ela cumpria a sua rotina pedagógica na escola Cassiano de Jesus, onde os estudantes eram mais dos mesmos pré-adolescentes e adolescentes indisciplinados até a alma e, nos seus mais de dez anos de magistério ela não cultivava a esperança de mudança. Na verdade, ninguém próximo a ela na profissão possuía.

São quase 7 horas da manhã de segunda-feira, e a escola, onde nos seus tempos de glória, como centro de ensino, não deixou pistas em suas paredes ou estrutura, está novamente sendo lugar das brigas de pátio.

Ela precisa atravessar o ringue escolar para cumprir sua carga horária de sua hora atividade semanal e tem o desprazer de presenciar o bestial espetáculo. Ela suspira e pensa: - O que será que Bhritanny roubou desta vez? E segue o seu caminho sem olhar para trás.

As duras penas e a pintura nova no carro a fez entender que isso se voltava contra qualquer professor ou profissional que ouse se interromper o circo estudantil "romano".

E, por fim, todos se embrutecem, entram no sistema ...

No outro dia, terça-feira, a aula é no 7º Ano, ou como a professora astróloga de revista nomeou, a setenaris fazendo alusão a Áries o signo. É desalentador ensinar História ou Geografia para uma turma com problemas pedagógicos de base, desinteresse e violentamente indisciplinados. Todas as turmas tem os mesmos problemas, mas cadeiras que voam e MMA ao vivo é só nesta. Foi tentado de tudo e até agora nada surtiu efeito.

Irene entra em na sala com a sua costumeira cara "animada" e pede os cadernos para dar o visto, pergunta sobre os trabalhos e reforça para que eles a procurem das 17 horas às 17 horas e  45 minutos naquele dia se eles quisessem ajuda. Suspira.

Irene vê um desenho incomum no caderno. Incomum para o dono do caderno, mas não para ela, pois já havia visto este mesmo tipo de desenho nos cursos de prevenção ao abuso e violência e por sua experiência as histórias sempre tinham um final dolorido e trágico para o menor que ficava estigmatizado. Pensou em deixar prá lá e deixou.

Saindo da escola Irene escuta um grupinho falando que queria matar o namorado da mãe e fugir porque ela gostava mais do macho dela do que dos filhos e que sempre arranjava um pior do que o outro.

Dirigindo pela rodovia relembra da conversa escutada e do desenho e pensa mais do mesmo em ciclo de violência que não se rompe.

Irene dorme. Seu sono como sempre é cheio de monstros que a perseguem. Remédios, terapias, terapia ocupacional e nada resolve ou alivia. Mas, nesta noite ao invés de correr dos monstros são eles que correm dela. Tanto sangue de monstro ... e acorda com a sensação de esperança. Mas, de quê?

Mais um dia em seu calvário, porém percebe-se levemente diferente do habitual. Não. Foi só um pesadelo. Estranho, mas diferente. Afinal, nem me lembro mesmo.

O alunos do 6º Ano como os outros tem os seus problemas pedagógicos de base, mas hoje na aula de Geografia eles estavam os mesmos, mas Irene estava elétrica e os alunos viram, ouviram e sentiram que a Bobanere, apelido dado por alunos, tinha quebrado finalmente e a notícia era como fogo no mato seco.

Na sala dos professores a notícia chegou antes dela colocar os pés lá. Quando ela entra, o silêncio reina e se adensa quase gruda nela como as nojentas gelecas dos alunos. Mas, ela vai até o seu lugar cativo e come o seu lanche como sempre e tudo volta ao normal ao seu redor.

No outro dia a coordenadora recebe a visita de uma barraqueira que se dizia mãe de um dos monstrinhos que frequentava a escola. E a escola ouvia os berros que para Irene mais pareciam uma vaca brava. Ela pede licença a turma em que estava e vai até o furdunço, pois ela sabia que seria chamada.

Alunos e o corpo docente vendo a Irene se dirigir com a aquela cara de pomba lesa de sempre não sabem se tem dó ou se ri.

Irene entra na coordenação sem se anunciar e pergunta: - Me chamaram?, a dita mãe avança e a joga contra a parede e a Coordenadora tira mãe de cima de Irene o que dá tempo da agredida se levantar e se preparar para o próximo ataque.

Sob o olhar aturdido da Coordenadora, ela vê a mãe com a cara em cima de sua mesa com o braço torcido e Irene calmamente a segurava e falando em seu ouvido: - Mamãe da Rhyanna certo? Ao que recebe um grunhido como confirmação, - pois bem, você virá na próxima reunião da escola e vai ajudar sem bater nela. Ao que a mãe responde: - Sua VACAAAAAAAAAAA!!!!!!!!! Vai quebrar meu braço!!!!!!. E Irene calmamente diz: - Ainda não, vou se não vier e vai ser naquele chiqueiro que você obriga a tua filha a viver. E sai como entrou.

A escola em peso nas janelas e portas veem a professora voltar a sala e continuar a aula normalmente.

No outro dia na escola não se fala de outra coisa e cada vez há uma história diferente, e todas são descartadas pois não preenchem os requisitos de não haver sangue, nariz ou ossos quebrados para nenhuma das partes.

Quinta-feira, no intervalo a professora de Português não se contem e pergunta a Irene: - O que aconteceu na coordenação? Ao que Irene simplesmente diz: - Só uma conversa civilizada ao nível da dita mãe. O que deixa quem a ouviu pasmo. Nem a Coordenadora que tá uma pilha de nervos não diz nada e ninguém no momento se atreve a perguntar. O que se sabe é que os gritos ficaram abafados, não houve sangue e nada foi quebrado na professora e, ela estava calma e a Rhyanna não foi a escola porque segundo seus colegas ela levou A Surra da mãe.

Sexta-feira, o dia tão "esperado" por professores, alunos e pais chegou. O dia de entrega de conceitos, dos pais conversarem com os professores e como sempre quem precisava vir não veio. Principalmente aquela mãe que veio dar show, pois bem, a obrigação de Irene acabou e partiu cumprir com a ameaça ...

Já são 20 horas e Irene bate à porta da casa de Rhyanna ao qual, a menina a recebe com um misto de espanto e raiva, pois por culpa da megera estúpida ela estava só o pó da rabiola. Irene entra e já diz:  -Chame sua mãe. Ao que a guria responde: - Ela não tá.

Irene se senta numa cadeira na sala-cozinha imunda e a menina aturdida fala que a mãe vai demorar. E a professora responde: - Sem problemas.

Às 21 horas e 30 minutos chega à mãe acompanhada por um homem bêbado e Irene vê o pavor amarelado na cara da garota. E Irene fala: - Você faltou a sua obrigação como mãe hoje. A mulher leva um susto e logo parte para cima, a menina se encolhe, o bêbado cai no chão e o pau quebra.

Os vizinhos só escutam e uma turminha que estava à espreita só escuta boquiaberto a casa tremer e coisas sendo quebradas e gritos, até parece briga de casal. Os adultos falam a turma nunca ouviu casal briga?

E um da turma responde: - Sim, mas não dá professora Bobarene vir apanhar na casa de aluno e esta informação corre mais rápido do que piolho em creche e a rua logo lota e celulares ajudam a clarear a rua de terra batida. 

A porta da casa se abre e sai a professora, descabelada e inteira. Ela fecha a porta e sai para rua e o peloto de gente se abre boquiabertos e ela diz: - Espero ver meus alunos na segunda-feira na escola com as tarefas feitas e limpinhos e saí noite a dentro.

Segunda-feira todos já sabem do surto da professora, pois esta m todos os grupos de WhatsApp da cidade. E até onde se sabe ninguém prestou queixa. A direção da escola é orientada a afasta-la e a mesma recusa.

Já na sala de aula ela dá aula normalmente e os alunos estão mais quietos que o normal, fora isso tudo igual.

Irene em seu intervalo chama Gabriel, o dono do caderno com o desenho que lhe chamou a atenção. Ele foge.

Quando ela vai dar aula a sua turma ela o chama a mesa e com o caderno dele a mão ela aponta o desenho e pergunta: - Quem?, o guri arregala os olhos e diz: - Isso não é nada.

Ela continua: - Quem?, ... eu irei te ajudar.

O menino a olha sem expressão e diz: - Mentira.

Ela responde: - Você e todo mundo viu que cumpro minhas promessas.

Ele diz: - Isso não vai adianta.

Irene sorri e diz: - Só tem um jeito de parar isso.

Ele pergunta: - Verdade? Qual?

Ela reponde: - Sim, e você sabe como.

Ele se aproxima mais da mesa e conta tudo, diz que não falou a mãe porque ele, o agressor,  bate nela e faz pior com ela.

Todos da sala veem os dois conversando e do menino não tiram nada. Dos olhos do menino veem a costumeira apatia e da professora um brilho incomum que ninguém viu antes.

A semana passa tranquila e todos vão deixando de falar do que aconteceu. Mas, agora ninguém a chama mais de Bobanere e a respeitam como nunca antes. A professora de Matemática destila veneno na sala dos professores, dizendo vou surta também, quem sabe assim sou ouvida, ao que outra professora lhe responde dizem ser bobagem este comentário. E isto se perde nas paredes.

No fim de semana Irene sonda a casa de Gabriel  e vê o entra e saí rápido de motos e pessoas, a Boca de Fumo da Vila Mildes, ou como é popularmente conhecida a Vila Merdes porque lá só tem gente de merda que faz merda.

O "tio" do Gabriel "sede" a casa para a função e ele e a mãe vivem nessa situação a muito tempo e estão até os cabelos nisso, situação complicada.

Durante a semana ela vê o garoto e fala: - Leva tua mãe para longe sexta, e só volte quando te chamarem. Assim ele fez, com um misto de expectativa e medo.

Irene chega no início da madrugada na Boca, bate e compra e esquece uma sacola de Coca-Cola na porta, tudo muito rápido. E, lá pelas 3 horas da madrugada ninguém abre mais a porta e é a hora de agir. Ela entra e lá tá ele, o dito tio, e, ela espeta entre os seus dedos do pé uma seringa e nos outros que domem ao lado.

Ela saí, e para aqueles que veem aquela pessoa sair, é só mais um nóia que se perde na noite.


Brasil, Seja Monarca do Mundo! (Daisaku Ikeda)

 Brasil, Seja Monarca do Mundo!

Um tributo aos meus companheiros, exemplos 
de harmonia para o futuro da humanidade

 

Oh! Brasil!

Terra natal do meu coração,

amigo que me aquece a alma,

chão celestial da minha vida!

 

Oh! Brasil!

És minha vida!

Teu levantar impávido

abriu o caminho glorioso

do Kossen-rufu mundial!

 

Viva, Brasil!

Meu amado Brasil!

Sublime nação do ser humano!

 

Ainda se aconchega em meu peito

a doce luz do verão de 1993

que banhava Itapevi,

cidade vizinha de São Paulo.

Ali por fim conheci

o castelo do tesouro,

o Centro Cultural Campestre 

com seu exuberante jardim.

                                     

A filosofia e a amizade

ali são flores

banhadas pelo orvalho da sinceridade.

 

O fulgor dourado das acácias,

quaresmeiras roxas e rosadas,

vitórias-régias em flor,

brancos lótus tropicais,

mais de cem mil cosmos,

hibiscos, begônias, girassóis...

Todos plantados com dedicação

nos bosques e nas colinas,

florescem radiantes

com todo o esplendor do verde louro.

 

Ainda me recordo quando sugeri

aos jovens a quem confiei o futuro:

— Vamos dar nome a estas colinas

e àquelas montanhas.

Eles responderam com sabedoria:

— Montanha Mestre e Discípulo!

— Colina Pôr-do-Sol!

Foi um momento de perfeita harmonia.

 

Com a beleza de uma obra de arte,

a Colina Pôr-do-Sol se acendeu

escarlate naquela tarde.                

 

Puro esplendor era o poente,

enquanto a Montanha Mestre e Discípulo

mostrava orgulhosa  

seu aspecto majestoso.

 

Foi quando escrevi: “Sol e bosque são radiantes

na Montanha Mestre e Discípulo

que observa nossa felicidade!”

 

“Vejo na Montanha Soka

o permanente alicerce

do futuro que nunca se acaba.”

 

Nada mais belo

do que o reino luminoso

da confiança entre os homens.

 

Nada mais respeitável

do que o juramento eterno

entre mestre e discípulo.

                                            

Disse-me Athayde,

o defensor dos direitos humanos:

— Tanto no Ocidente

como no Oriente,

a mais preciosa virtude

é a confiança no ser humano

cultivada a cada instante

pela crença na relação

entre mestre e discípulo.

 

A verdadeira crença

eleva e une os homens,

abre e une os corações.

Mestre e discípulo                       

— a solidariedade verdadeira

entre os seres humanos.   

Eis por que a relação

entre mestre e discípulo

é espírito de procura,

desenvolvimento constante

e uma relação eterna.

 

Kossen-rufu é batalha de mestre e discípulo.

Buda é quem vence infalível

e Brasil é esperança absoluta.

 

Oh! Brasil!

De tua filha,

a índia Iracema,

e do português Martim

nasceu o valente Moacir.

Diz a lenda que desse casal

descende multidão de brasileiros.

 

Comunhão de raças,

convivência humana,

sonho da democracia racial —

são ideais que fincaram raízes no Brasil.

 

Quanto mais te conheço,

quanto mais te visito,     

mais palpitante fica  meu coração

perante teu poderoso encanto.

 

O samba, a alma de teu povo.

O Carnaval, a energia de tua gente.

Todas as raças cantam e dançam juntas

na maior festa popular do mundo.

 

Por que no Brasil                            

surgiu uma cultura popular

tão autêntica e cheia de paixão?

Ela é a flor e o fruto

de sua turbulenta história

de quinhentos anos.

O anti-humanismo,

o terror da opressão,

a fibra de seu povo soube vencer.

 

Essa é sua origem.

Nasceu do sofrimento

e da perseverança que venceu

a cobiça secular em busca do ouro.

Por isso proclama orgulhoso:

— Sou teu povo heróico e imbatível!

 

Por maior que seja o poder,

por mais forte que seja a violência,

nada poderá dominar            

a alma altiva do homem.

 

Um povo autêntico

pode até ser humilhado,

mas nunca destruído.

Quanto mais escarnecido,

mais forte se levanta.

 

A história da humanidade

aguarda perseverante,

como aurora que se ergue,

a vitória de um povo

sobre seus opressores.

Sua gente heróica move a história

e é a força que abrirá o futuro.

 

Jorge Amado,

o mestre da literatura brasileira,

enaltece a convivência

harmoniosa das raças

como a dádiva mais rica dos brasileiros

para a causa do humanismo.

 

Qual o bem fundamental

que pode o homem deixar

para o futuro da humanidade?

Tão simplesmente o rumo,

o claro e seguro rumo,

para a conquista mais digna

da condição humana:

a convivência solidária das raças.

 

Oh! Brasil!

Amigos que tanto amo!

A jornada que escolhemos

não é de sossego nem de mágoas.

É o caminhar seguro e valente

desfraldando a bandeira da esperança,

do otimismo e da convicção!

 

Não faz mal que seja pouco,

o que importa é que o avanço de hoje

seja maior que o de ontem.

Que nossos passos de amanhã

sejam mais largos que os de hoje.

 

Que sejam humanistas de braços fortes

em luta solidária

com as pessoas deserdadas.

 

Atuem agora e vivam o presente

com a certeza de que neste exato instante

está se erguendo o futuro.

 

Deixem seus méritos gravados

na história de suas contínuas vitórias!

A dificuldade no momento presente

será a glória em seu futuro!        

O desbravar do caminho do novo século

será proporcional a sua caminhada!

 

Jamais esquecerei

o amigo que luta pela paz,

a amiga que incentiva os companheiros

e o nobre labor compenetrado

no palco sem desejo de palmas e ovações.

 

Oh! filhos do leão!

Os que no Brasil jamais se abalaram   

ante a covardia e a ingratidão

de animais disfarçados em mantos clericais,

larápios que usurparam a nobreza do budismo.

 

Bonzos decadentes lá em cima

e embaixo os membros fiéis

que caminham na retidão:

— Heresia que profana

o sonho brasileiro

da igualdade entre os homens.

 

Oh! Brasil!                    

Em ti floresceu a justiça da Lei Suprema,

porque aprendeste o ensino sagrado:

“Quando bonzos hereges incitam              

milhares de seres a banir o sábio,

aquele que mantém em seu coração

o espírito do rei-leão

certamente se tornará um buda.”

 

Oh! Brasil!

Venceste!

Venceste em tudo!

Impávido triunfo conquistaste!

 

Em Curitiba      

a primeira Praça Makiguti do mundo!

No Estado de São Paulo

a primeira Rua Toda do mundo!

Em Londrina   

o honroso Parque Ecológico Ikeda!

Do Rio de Janeiro

a homenagem em louvor à Soka

Tomando a vanguarda do mundo.

E na poética terra do Amazonas

se expande a profunda amizade e confiança.

 

Em todo o mundo se distingue o Brasil

com mais de cem homenagens.

Aqui e ali, em todos os recantos,

desponta o esplendor de mestre e discípulo Soka

exaltando o alto valor de Makiguti e Toda.

Uma pessoa disse admirada:  

— No mundo inteiro,

o Brasil é o maior Castelo dos Três Mestres!

 

Eis a prova inabalável

que espelha orgulho:

a dedicação de meus companheiros,

cidadãos de bem,

estreitando os laços da convivência confiante.

 

Não tenho sombra de dúvida

que a boa sorte desse labor

se estenderá por todas as existências

de geração a geração.

 

Quem decidiu a vitória colossal

do Kossen-rufu mundial no século XX

foram meus companheiros do Brasil.

 

E o descortinar do triunfo no século XXI

foi abrilhantado também com galhardia

por meus gloriosos companheiros do Brasil.

 

O sábio Darcy Ribeiro

conclui em seu O Povo Brasileiro:

 “Estamos nos construindo na luta

para florescer amanhã

como uma nova civilização,

mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma.

Mais alegre, porque mais sofrida.

Melhor, porque incorpora em si

mais humanidade.                                    

Mais generosa, porque aberta à convivência

com todas as raças e todas as culturas

e porque assentada na mais bela e

luminosa província da Terra.”                    

Meus amigos!

No futuro do Brasil não cabe

nem pessimismo nem desilusão.

 

No horizonte de sua jornada

fulgura sem fim

o azul do céu profundo

de glórias e esperanças.

 

“A voz executa o trabalho do Buda.”

Eis nossa poderosa arma —

o diálogo sincero,

o rugido corajoso do leão.

 

A sagrada escritura exalta:

“A Lei não se propaga por si mesma.

Por ser propagada pelas pessoas,     

tanto a Lei como as pessoas

tornam-se dignas de respeito.”                     

Oh! meus amigos!      

Por mais distantes que estejamos

nunca estamos separados,

mais próximo está nosso coração.

Percorramos juntos eternamente,

sublimes companheiros do Kossen-rufu,

pela grande estrada dourada

de paz e felicidade.

 

“À minha existência, viva!

Sou eu de vitórias mil!”

Levantemos este brado retumbante

pela glória do trabalho triunfante.

 

Avancemos juntos               

na marcha alegre e vitoriosa

ao compasso de união incomparável   

rumo ao ano 2010 —

Cinqüentenário do Kossen-rufu do Brasil!

 

Que haja saúde em ti,

vanguardista do novo milênio!

Que haja vitória em ti,

Monarca do Kossen-rufu mundial!

Que haja perene prosperidade

na terra natal de meu coração,

Brasil que se ergue soberbo!

 

Em 22 de julho de 2001.

Na data da honrosa outorga

do título de Cidadão Honorário

da Cidade de Itapevi, Estado de São Paulo,

no Memorial Makiguti de Tóquio.

Oro do fundo de meu coração

pela felicidade, saúde e longevidade

cada vez mais abundantes

de todos os companheiros do Brasil,

meus tão preciosos amigos.

Ofereço também minhas profundas orações

a todos os respeitáveis beneméritos

que faleceram durante a jornada

do Kossen-rufu do Brasil.

Espelhando minha maior alegria

e a mais intensa esperança

na expectativa de novamente

visitar a amada terra do Brasil,

junto as mãos em oração.  

Do poeta laureado do mundo

Genérico

 Genérico

Flúvia Félix

Branca,

Morena,

Branca,

Neguinha,

Branca,

Branca queimada do Sol

Mas, Branca.

De cara ninguém aceita ser não branco

Aqui neste lugar de uma certa maneira todos lutam para serem aceitos

E branquear-se faz parte.

É cultural,

É estrutural,

É a vida,

É a luta.

Reconhecer-se pode doer, mas também pode ser libertador.

Reconhecer as belezas das etnias e não somente de uma, libertar as mulheres e os homens da ditadura da beleza.

Não sou bela porque sou branca.

Mas, sou bela porque sou.

Racismo inverso?!

Papo de ignorante, de gente que não sabe o que diz, ou não.

Militante desocupado?!

Lacrador de internet!!!

Sei lá. Talvez, simplesmente uma pessoa que se libertou?

E como todo desperto em sua crença tenta espalhar a boa nova.

Aceite?

Se não quiser passa reto.

Se te ofendes, então é porque de alguma maneira tua ferida foi tocada.

E toda negação vem antes da aceitação.

Hoje aqui é uma utopia dizer que todos somos iguais,

Iguais só na teoria constitucional.

Por que na prática bem sabemos que a realidade corre longe lá no léu.

E perceber o nosso preconceito diário não é nos diminuir, mas, uma oportunidade de fazer diferente.

Mas, como se faz isso?

Não sei.

Só sei que tem que ser leve.

Ser leve é não resistir e perguntar-se, OK o que faço agora? Escutar? Perguntar? Escutar?

Sem acusação porque o passado ficou e o agora é hora de fazer diferente.

Como?

Não sei, diferente apenas.

S. Et. D. (Sem Etnia Definida)

S. Et. D. (Sem Etnia Definida) 

Flúvia Félix

Sou uma índia de etnia indefinida 

Descendente de um povo esquecido perdido no tempo

Sem história étnico latina 

Cria do apagamento cultura sofrido por um povo

De uma ou talvez duas  matriarca(s) pega no laço.

Estou hj sem memória de meu passado 

Que não se reflete em rosto, usos e costumes 

Aqui só há o genérico de um povo envergonhado de seu passado ufanando somente um lado e soterrando o índio de seu sangue 

Não tenho o rosto do índio e nem do negro... Me acusam de portuguesa, hora pois, e se for?

Aqui nestas veias tbm correm os sangue dos apagados 

E ñ me envergonho desta herança 

Só me entristece o coração de não saber a que nação ou etnia latina ou africana corre por minhas veias p honra-los em nome e não no genérico 

Pois, neste lugar virou um pedaço de terra carcomido de parasitas etnocentristas.