INTIMIDADE
Flúvia Félix
Eu era dele.
Ele era meu.
Me sentia segura.
Deixei ele ver minha feridas,
Meus traumas,
Meus dramas,
Dei meu coração pra ele.
Pois, me sentia segura.
Mas, ...
Na vida sempre há um mas.
Que me desestruturou por
completo
Tudo porque me abandonei na
fantasia
Vivi meu Conto de fadas.
E ele acabou como uma batida
de carro em alta velocidade
Como uma alma que se apega ao
corpo vivo
E, a cada dia tentei reviver o
passado
Mas, este já estava morto.
Se decompondo
Mostrando seus vermes.
Não houve o luto,
E todo dia havia o choro
E a saudade.
Por estar morta viva, não
compreendia por que tanto lamento se eu estava viva.
Arrastei corrente invisíveis
do trauma, drama e do coração que se partiu
O príncipe destronado ao meu
lado
E, eu um cadáver errante
Nos unimos pela crença de q
...
Eu não sei.
Um amor?
O amor dos escombros de minha
alma.
Que ficou lá tão pequeno e
assustado como uma criança agredida
Mas, um dia o feitiço agoureiro
dos contos de fada se desfaz
Devolvendo a carne e o ar a
morta viva.
E a dor de outrora retorna ao
corpo da sonhadora com a mesma força destrutiva.
Ela achou que desta vez seria
despedaçada pelos novos golpes do seu antigo amor.
Porém, desta vez não.
Não voltaria ao cemitério que
sua vida tornará.
Seu coração pulsa em seu peito
e, como é bom se sentir VIVA!
E estar retomando aquilo que
deu de bom grado e como um trapo velho foi tratado.
Não é fácil.
Não é fácil, ver que viveu
como um zumbi
E como um escravo sem
consciência construiu uma vida que até então não usufruía.
Só vivia porque ainda
caminhava e reagia.
Recomeçar de onde cheguei
Só é bom porque sei que de
onde vim não pretendo voltar.
Lembrar que antes do conto de
fadas havia uma força que me sustentava é muito reconfortante,
Saber que dormi por um tempo e
que acordei não tem preço.
No entanto, ficar acordada é
lutar para não dormir,
É estar consciente e trabalhar
para não voltar a abraçar a inconsciência.
E o príncipe?
Não sei.
Não tenho controle de suas
ações e emoções.
Só posso ver os fatos.
E o trono?
Uma vez deposto, sempre
deposto e está tudo bem.
E o amor?
Ah, este está se costurando.
E?
É isso. Ponto.
Agora é reconstruir e
redescobrir como viver apesar da dor.
Descobri que há vida para além
da dor.
Tem dias que dói mais, muito
mais e menos do em um outro dia e a vida segue.
A dor é ferida aberta e úmida.
O tempo e a aceitação serão
seus remédios.
Não posso fazer o outro não me
machucar.
Mas, posso escolher até que
ponto poderei ir sem me trair.
Hoje entendo que ser leal a
mim e aos meus valores é que é o mais importante.
E que só posso dar o meu
coração a mim, eu que tenho de me responsabilizar por mim.
Eu sabia disso, e não entendo
o porquê de fazer ao contrário.
A vida me dando experiência?
Me ensinando lições?
Não sei o motivo, mas espero
não repetir a lição.