sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Conto: Marluce

 

Marluce

Flúvia Félix

É tudo ficção

A dançarina é a palavra perfeita para definir Marluce, pois a dança, o movimento e o ritmo são como a sombra de seu corpo e o ar que ela respira. Quem a conhece nem que seja só de vista, diz, aquela doida que fica dançando... é a definição certa e perfeita para ela. Ela sempre gostou de dançar e desde que se entende por gente e se lembra de estar dançando.

A dança não era permitida na casa dela quando criança devido a religião e porque a mulher que dança é porque está chamando homem. Mulher que dança não é de respeito, ainda mais se fosse uma dança rebolante.

E ela se perguntava como algo tão bom poderia ser ruim? Então ela dançava escondida no quarto, banheiro e quando a mãe pegava era pau. Mas, mesmo apanhando a sua paixão pela dança não se alterava.

Criança, adolescente e mulher feita que viveu e vive na pobre de dinheiro não podia e não pode ter aula de dança o que não é problema porque só de olhar ela pega o movimento e aí só treina.

Quando em criança não podia dançar e então bailava em sua cabeça, ali era o mundo dela, o seu reino dançante. E por ficar neste reino dançante vivia distraída das coisas práticas da vida. Era péssima na escola e por vezes nas reuniões de escola os professores diziam a mãe que ela era avoada e não se concentrava estava sempre na lua e o resultado disso era mais pau porque as notas eram ruins. Ela até se esforçava, mas o reino dançante era mais forte e irresistível.

Hoje já adulta, Marluce é dona de seu nariz, e toda a noite sai para dançar e se não tiver forró ou uma boate para ir ela liga o som e dança em sua sala ou na porta de sua casa porque dançar é vida, é a única coisa que a mantem sã neste mundo insano.

O tempo e a experiência lhe ensinaram a ligar o foda-se para todos e tudo que tentam lhe impedir de ser este ser dançante. Triste ou feliz ela dança a qualquer momento e, por isso, lhe chamam a louca.

Tua vida não é fácil. E na infância pobre e ignorante que teve o pau no coro era o remédio para tudo e como ela tinha energia e a boca dura e, por isso, era a guria encapetada. Então, quase todo dia ela levava um chá de cinta no lombo.

Ela tinha uma amiguinha para brincar e elas dançavam no quintal longe dos olhos da mãe e da avó, mas o problema era que ninguém a via além de Marluce.

E um dia a amiguinha sumiu e só ficou o vazio e foi neste dia que o único em que se lembra que ela não dançou ... teve até febre de saudade da amiga. Levaram a benzedeira e igreja porque não era gripe então só poderia ser encosto e quando dizia que a amiga não aparecia diziam que isso era bom. Então porque o vazio?

O tempo passou e ela se recuperou, mas começou a ouvir sussurros que a chamavam, que a xingavam e riam dela.

Ela contou a vó que a levou a igreja e na hora que rezavam na cabeça dela ela desmaiou. E ao acordar às vezes agoureiras estavam lá. E nuca mais falou disso com ninguém e pensava que estava no lucro porque a vizinha via espíritos ela pelo menos não via nada.

E ela logo cedo entendeu que para não ouvir nada era só dançar porque as vozes a deixavam zonza e pra dormir bem era só dançar até a exaustão.

Com o tempo a sua distração e a compreensão rápida das coisas só foi sendo mais notada ou foi aumentando? Isso ela não sabe dizer, só sabe que sempre está zonza e isso passa quando dança, quando se sente a dona do mundo, quando ela neste momento se sente forte poderosa.

Marluce a dançarina quer coisa melhor para não endoidecer? Uns bebem e por que eu não posso dançar?

Este é a sua pergunta. Então, me deixem dançar.

Nos bailes e forros da vida ela causa alvoroço de inveja nas mulheres e é cobiçada pelos homens porque sendo verdade ou não muitos homens a procuram não somente para dançar e sempre lhe propõe o algo a mais pós festa e querem lhe agredir quando ela os recusa. Não entendem que ela está lá somente pela dança, e nada mais. O fim da festa, é o retorno a sua vidinha detestável e sem graça.

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Conto CURTO: EXPECTATIVA

 

EXPECTATIVA

Flúvia Félix

Ninguém sabe para onde vamos. Todos que chegam aqui quando saem nunca voltam, então ficamos a cada momento na expectativa de como será lá fora? Como será o mundo?

Estou aqui neste pátio há dias e noites esperando e esperando, o quê? Sinto uma coisa estranha por dentro, será a ansiedade da espera?.

Converso com os que estão a minha volta para tentar esquecer o amanhã. Mas, aqui todos estão como eu, na expectativa, pois os que passam por aqui não nos dizem nada. Parece que somos invisíveis a seus olhos e da mesma maneira são surdos aos nossos apelos.

O dia tão esperado chegou e fomos colocados num caminhão grande sem uma única palavra e a cada curta parada e acelerada que o transporte dava nos faziam temer por nossos destinos. E num destes vai vem do movimento da carroceria o pior aconteceu ... o grande caminhão parou e sua carroceria se abriu e 30 de nós eles levaram e, nem nos ouviram suplicar. Depois de vermos 30 de nós serem levados um pavor gigantesco nos engoliu por não saber o que acontece me enche de medo.

Por fim, na última parada, fomos descidos da carroceria e levados para outro lugar, onde pessoas passavam e nos avaliavam com um estranho olhar que mais tarde descobri ser de desejo por me possuir.

sábado, 15 de maio de 2021

 Flúvia Félix

Partiu meu coração!

Foi logo escorregando prós lençóis

De uma gaiata

Que se fez de beata.

Não há resposta que satisfaça

Tão temerária pergunta agoreira.

Que teima em se lançar perguntadeira.

Espetando fundo n´alma

Do traído coração.

Que chora o pranto da amargura

Pela infidelidade sofrida

Se lamenta por confiar demais

Num sentimento que era tão belo

Que foi ao mesmo tempo tua maldição.

O que fazer quando aquela dor te corta por dentro?

Nem as lágrimas são capazes de fazer passar.

E levanta dentro de si, o desespero!!!

De tão doido, é possível ver o sangue derramar

Ai! Coisa doída que não tem tino

Que desatina a cabeça numa zonzeira dos infernos.

Me fazendo perder o rumo e o prumo de mim.

Me fazendo ter vontade de me largar num deserto.

Para fechar os meus olhos no sono sem retorno. 

(02/12/2012)

segunda-feira, 3 de maio de 2021

MARLENE

 

MARLENE 

Flúvia Félix

Tudo ficção

Marlene, uma jovem senhora politicamente correta, não há ninguém que conteste isso, pois ela é assim.

Se tem uma coisa que ela ama é a família dela, tem orgulho da mãe que a criou e a seu irmão sozinha com a ajuda da avó senhora religiosa, evangélica daquelas igrejas que mais prega a temor ao diabo do que o amor a deus.

Deus este que Marlene entendeu desde a mais tenra idade ter os seus eleitos.

Todos os dias Marlene pegava o ônibus para o trabalho, todo dia ida e volta lotado e ela ia sempre cismando sobre a vida.

Formada em contabilidade, 03 vezes bateu na trave do concurso público e atualmente desempregada.

Seu irmão Marcos é um policial militar comum sem grandes aspirações e com o tempo esta se tornando alcoólatra e se nega a ir ao psicólogo, para que afinal isso é coisa de doido.

Como ela vê é uma família normal, que todo domingo vão ao culto uns por fé, outros por desencargo de consciência e por não ter lugar melhor para ir.

O que sempre despertava o interesse de todos eram os testemunhos dos fiéis onde relatavam suas bênçãos, mas a mais esperada mesmo por todos eram os testemunhos dos ex-presos e de seus altos e baixos que para Marlene era muito novelístico e para seu irmão difícil de engolir, pois para ele uma vez bandido sempre bandido afinal ele já reprendeu vários que já deram testemunhos.

As irmãs sempre a abordam para ser oficialmente integrante do corpo da igreja, A Voz Retumbante de Cristo, ao que ela sempre se fazia de desentendida, pois não haveria tanta fé assim nela para aceitar carregar tamanho fardo em ficar ouvindo tagarelice de fiéis tão devotadas a fofocar a vida alheia.

Numa terça-feira a tardinha sua mãe Lina recebeu a visita da irmã Tiana, ela era a responsável por espalhar, digo, informar a seu grupo de amigas as notícias que todos queriam esconder.

E entre um copo de café fumegante e outro naquela tardinha quente ela contou que Maria Auxiliadora que havia se casado com um ex-detento há seis meses estava agora lá na casa do pastor para pedir oração por seu marido, pois o mesmo andava nervoso e tinha lhe dado uns tapas. Mas, na verdade segundo Tiana foi uns socos e a guria dela de 10 anos falou que o omi tava espiando ela no banheiro e que esse era o verdadeiro motivo; ao que a mãe gritava ser mentira da menina e que era o demônio tentando acabar com o casamento eleito do senhor.

Menina, o pau tava pegando.

E como era de costume Tiana ia embora depois da janta.

Ouvir este tipo de notícia acontecer assim tão perto sempre deixava Marlene inquieta, talvez isso sempre esbarrava em lembranças que a mesma tinha enterrado.

No domingo no culto todos sabiam, mas nada diziam só olhavam e olhavam e muitas se prontificavam para montar grupo de oração, pois só a oração e o joelho no chão seriam capazes de vencer o inimigo. Procurara ajuda psicológica para a família não era necessário, pois somente deus era suficiente.

Na quarta-feira o pior aconteceu ...

Jessika Maria a menina de 10 anos esta morta por tentar defender a mãe e saiu em todos os sites de notícias, uma nota de pesar da igreja e a mãe chorar pela filha e pelo marido, afffff ela ainda defende e é capaz de ir pagar visita.

Marcos esta na sala de casa alterado pelo álcool e ninguém chega perto o deixam lá, quieto em seu canto com suas latas. Marlene se aproxima e lhe entrega mais uma lata e pergunta se tá tudo bem, ao que ele responde que sim.

Ela pensa que lhe entende a sua incapacidade de fazer o que quer e ao mesmo tempo pensa em sua vida sem propósito e de como se sente inútil por estar fora de sua área de atuação, e fazendo bicos para se manter. A vida é uma merda!!!, mas isso você não diz em voz alta.

Vó Maria sempre a chama para matar as galinhas, os ratos, o cachorro doente pois sabe que Marlene tem brios e não tem dó, mas, ao mesmo tempo que tem orgulho de sua neta se preocupa por esta ainda não ter casado e aceitado Jesus, teme por sua alma ....

Marlene cresceu ouvindo que os homens maus iriam ser castigados por deus, mas somente poderiam ser perdoados se realmente se arrependerem do fundo do coração. No entanto, para ela isso era uma conta que não batia e chegou à conclusão que era dito isso para confortar o coração daqueles que tinham parentes nesta situação.

Também cresceu ouvindo que bandido bom era bandido morto, mas isso era um problema por que até mesmo os crentes amam a um bandido convertido como o pastor que era estelionatário e agora é um homem recuperado em Cristo ... velhos hábitos não mudam facilmente.

A igreja tinha um núcleo de evangelização no presídio da cidade e muitas irmãs encontravam o marido lá, pena que na maioria das vezes não dava certo.

A mãe e a avó pegaram ela esta semana para lhe atazanar a vida com a mesma amolação de sempre quando vai casar e se converter, quando, quando, quando ... e os filhos, quem vai te ajuda na velhice?

Sinceramente só não as mandava para aquele lugar porque era bem educada e isso era como um iô iô que vai e volta. Paciência ... E o Marcos para porque não dizem o mesmo para ele? 

Ele é o home e é concursado, agora você é mulher e mulher é diferente e quando o tempo passa menos homens vão querer você.

Marlene revira os olhos e saí de casa indignada com o que ouviu, no entanto, ela sabia que todos ao seu redor pensavam assim.

Ao andar por sua rua encontra uma colega de escola que a convida para ir a sua casa conhecer sua filhinha e como Marlene não tava afim de ir para casa ela vai e presencia uma cena desagradável.

Sabe quando entra num lugar e percebe que algo não está certo, foi o que ela sentiu e o que viu realmente não lhe cabia, um cara que tava sendo tratado como rei que maltratava a companheira e dava terror na filha mais velha.

Ao voltar para casa narra o que viu para a mãe e a avó ao que dizem que só deus poderia ter misericórdia daquela família.

Ouvir isso foi como um soco em teu estomago e uma urgência começou a gritar nela.

E ela sabia o que fazer. Uma voz cutuca sua cabeça lhe dizendo que tinha de fazer algo para ajudar a ex-colega e deus não era a solução, tão pouco a polícia poderia ajudar e a ex-colega era emocionalmente dependente do rei sem trono.

Dormiu mau e ao acordar a voz tava lá azucrinando como sempre só que com mais intensidade. Era como uma música chiclete.

Dois dias depois Marlene vai à casa da ex-colega novamente e ela não acredita que tava fazendo isso porque elas nunca foram próximas. A ex-colega fica feliz pela visita pois Marlene sempre foi educada e muito tímida, uma boa menina e agora uma boa mulher que se preocupava e lhe dava apoio nesta tempestade que era a tua vida.

Quanto mais Marlene se aproximava, ouvia e observava a dinâmica familiar, mais a voz se avolumava e era como um canto de sereia irresistível e assustador.

O rei lhe dava olhadas e fazia questão de esbarrar em Marlene e ela fingia que não via, mas, isso não era o pior ... para ela era horrível o tratamento deplorável a sua atual amiga, e flagrar o mesmo tipo de olhar lançado a criança. Isso sim lhe era imperdoável...

Daquele momento em diante Marlene não teve paz, pois sabia que ninguém acreditaria nela por mais honesta que fosse, pois o homem sempre nunca teria teu comportamento questionado agora a sombra de uma mulher já nascia errada.

Ela tinha de agir...

Pensou em falar com o irmão, mas ele não poderia ajudar sem se prejudicar, então estava sozinha e teria de ser rápida.

Ela sabia toda a rotina da casa e de como o rei era alérgico a abelhas e marimbondos e sua aversão descabida ao mel, já que este não lhe causava nenhuma alergia. Conseguir abelha na cidade era impossível agora marimbondos...

Marlene chamou sua colega para ir a igreja naquele domingo ao que ela aceitou e foi com a guria e ela nem precisava perguntar pelo marido, as o fez mesmo assim ao que ela falou que estava no bar a três quadras d igreja e Marlene lhe olhou com compaixão e disse tenha fé. Tudo correu normalmente e quem lhe visse no culto poderia atribuir sua empolgação ao espirito santo.

Marlene esperou dar meia-noite, a mãe dormia e o irmão prostrado no sofá bêbado e babando e o cachorro como sempre latindo. Marlene sai pelo portão como Marlene e carrega uma sacola e vai em direção a igreja e passa reto até a casa ao lado entra pelo portão e coloca a camiseta e o boné vai até área do fundo e pega uma caixa com marimbondos e sai pelo portão e vai até o bar vê o rei sentado numa mesa perto da rua se aproxima pelas costas quebra uma garrafa de cerveja na cabeça dele e larga o saco com os marimbondos no colo dele e sai, os outros ao ver só levantam assustados com a garrafada e depois correm pelos marimbondos e orei fica lá na cadeira com o seu presente.

No outro dia Marlene acorda com o telefone tocando e confere se tem picadas no rosto.

E a dona Tiana tá lá na cozinha contando que o Jeff, o rei, morreu e que o próprio diabo deve ter vindo busca-lo, pois ninguém viu nada. Ela tomando o café e pensa, sinceramente dona Tiana faz um trabalho melhor do que a civil.

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Si Ama

Si Ama

Flúvia Félix

Tudo é diferente quando SI ama.

A vida ganha cores mais bonitas.

Cresce no peito um desejo de paz.

A gente planeja, sonha e faz.

Os sonhos são mais belos.

Os sabores mais intensos.

O auto amor entra tomando conta.

A vida ganha um novo sentido.

A gente DESCOBRE um novo mundo.

Tudo fica rico de sentimento.

No auto amor se ganha a Liberdade.

No coração nasce a Intensidade.

No auto amor se aprende a Responsabilidade.

No coração nasce a Felicidade.


* Originalmente publiquei este texto no Orkut e agora o transcrevo aqui com uma pequena mudança, porque hoje assim meu coração me aconselhou.

Caminhar entre Túmulos

 Caminhar entre Túmulos

Flúvia Félix

Um corpo que anda 

Por um caminho já conhecido de muitos.

Porém, amaldiçoado por outros tantos.

Lápides solitárias de conhecidos "amigos" decoram a prisão.

 A noite e os agourentos corvos me fazem companhia 

Nesta fria e dúbia existência de amarguras.

Pobre de mim.

Atraiçoada por meu coração despreocupado 

Que foi incapaz de resistir 

A uma infeliz decepção.

Flor Negra


  Flor Negra

Flúvia Félix

O peito dói por causa de amor descuidado.

As lágrimas correm 

Devido a uma confiança quebrada, 

A garganta arde com o choro incontido.

Sofrimento e dor maltratam o corpo.

Enquanto as órbitas giram a procura de um por quê? Que não existe.

Na calada da noite somente o silencio de um túmulo.

Sobre o moribundo coração 

Pousa uma estranha flor 

Tão negra, quanto este dolorido coração.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Marlene

MARLENE 

Flúvia Félix

É tudo ficção

Marlene, uma jovem .....