Marluce
Flúvia
Félix
É
tudo ficção
A dançarina é a palavra perfeita para definir
Marluce, pois a dança, o movimento e o ritmo são como a sombra de seu corpo e o
ar que ela respira. Quem a conhece nem que seja só de vista, diz, aquela doida
que fica dançando... é a definição certa e perfeita para ela. Ela sempre gostou
de dançar e desde que se entende por gente e se lembra de estar dançando.
A dança não era permitida na casa dela
quando criança devido a religião e porque a mulher que dança é porque está chamando
homem. Mulher que dança não é de respeito, ainda mais se fosse uma dança
rebolante.
E ela se perguntava como algo tão bom
poderia ser ruim? Então ela dançava escondida no quarto, banheiro e quando a
mãe pegava era pau. Mas, mesmo apanhando a sua paixão pela dança não se alterava.
Criança, adolescente e mulher feita que
viveu e vive na pobre de dinheiro não podia e não pode ter aula de dança o que
não é problema porque só de olhar ela pega o movimento e aí só treina.
Quando em criança não podia dançar e então
bailava em sua cabeça, ali era o mundo dela, o seu reino dançante. E por ficar
neste reino dançante vivia distraída das coisas práticas da vida. Era péssima
na escola e por vezes nas reuniões de escola os professores diziam a mãe que
ela era avoada e não se concentrava estava sempre na lua e o resultado disso
era mais pau porque as notas eram ruins. Ela até se esforçava, mas o reino
dançante era mais forte e irresistível.
Hoje já adulta, Marluce é dona de seu
nariz, e toda a noite sai para dançar e se não tiver forró ou uma boate para ir
ela liga o som e dança em sua sala ou na porta de sua casa porque dançar é
vida, é a única coisa que a mantem sã neste mundo insano.
O tempo e a experiência lhe ensinaram a
ligar o foda-se para todos e tudo que tentam lhe impedir de ser este ser
dançante. Triste ou feliz ela dança a qualquer momento e, por isso, lhe chamam a
louca.
Tua vida não é fácil. E na infância pobre e
ignorante que teve o pau no coro era o remédio para tudo e como ela tinha
energia e a boca dura e, por isso, era a guria encapetada. Então, quase todo
dia ela levava um chá de cinta no lombo.
Ela tinha uma amiguinha para brincar e
elas dançavam no quintal longe dos olhos da mãe e da avó, mas o problema era
que ninguém a via além de Marluce.
E um dia a amiguinha sumiu e só ficou o
vazio e foi neste dia que o único em que se lembra que ela não dançou ... teve até
febre de saudade da amiga. Levaram a benzedeira e igreja porque não era gripe
então só poderia ser encosto e quando dizia que a amiga não aparecia diziam que
isso era bom. Então porque o vazio?
O tempo passou e ela se recuperou, mas
começou a ouvir sussurros que a chamavam, que a xingavam e riam dela.
Ela contou a vó que a levou a igreja e na
hora que rezavam na cabeça dela ela desmaiou. E ao acordar às vezes agoureiras
estavam lá. E nuca mais falou disso com ninguém e pensava que estava no lucro
porque a vizinha via espíritos ela pelo menos não via nada.
E ela logo cedo entendeu que para não
ouvir nada era só dançar porque as vozes a deixavam zonza e pra dormir bem era
só dançar até a exaustão.
Com o tempo a sua distração e a
compreensão rápida das coisas só foi sendo mais notada ou foi aumentando? Isso
ela não sabe dizer, só sabe que sempre está zonza e isso passa quando dança,
quando se sente a dona do mundo, quando ela neste momento se sente forte
poderosa.
Marluce a dançarina quer coisa melhor para
não endoidecer? Uns bebem e por que eu não posso dançar?
Este é a sua pergunta. Então, me deixem
dançar.
Nos bailes e forros da vida ela causa
alvoroço de inveja nas mulheres e é cobiçada pelos homens porque sendo verdade
ou não muitos homens a procuram não somente para dançar e sempre lhe propõe o
algo a mais pós festa e querem lhe agredir quando ela os recusa. Não entendem
que ela está lá somente pela dança, e nada mais. O fim da festa, é o retorno a
sua vidinha detestável e sem graça.
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