MATHEUS
Flúvia
Félix
É
tudo ficção
Matheus bebia todos os dias
que podia, pois não suportava a própria vida e invejava sua irmã, pois ela era
tudo o que ele queria ser.
Marta, irmã de Matheus é
inteligente e de personalidade forte, é a fortaleza de seus pais e ele era ...
ele. Nunca se encaixou por mais que tentasse. E, em cada tentativa era mais dor
que colecionava.
Ele advogado, jiujiteiro e
instagramável eram estas as suas três palavras chaves.
Como advogado era razoável,
como desportista era agressivo no tatame, no Insta era o gostoso e cobiçado
advogado atlético. E essa imagem, todos os amigos das redes sociais compravam,
por mais que, tivesse prazer em despertar a cobiça e a inveja de homens e de
mulheres, sua frustação não desaparecia nunca, sempre estava lá, como a sombra
que segue o corpo.
Ele ia e vinha de psicológicos,
e sempre tinha a impressão de ter uma parede lhe bloqueando e não era capaz de
ultrapassá-la. Nos piores momentos de ansiedade noturna acordava sempre num
sobressalto, fugindo ou perseguindo algo que ele nunca lembrava o que era.
Todo domingo havia o almoço de
família, com seus pais e a família de sua irmã. Por mais que, gostasse de seus
sobrinhos, odiava a felicidade deles, porque pareciam propaganda de margarina. E,
ouvir a reprovação da mãe por estar solteiro e sem filhos, e a “acusação” de
sua possível libertinagem pelos homens lá estavam lhe causava desgosto.
No domingo de manhã, sempre
falava para si, que não iria. Mas, o dever filial incutido na infância era mais
forte e, lá estava ele a bater o ponto mais uma vez.
Naquele almoço, o assunto da
vez era Miguel, e em como ele do nada resolveu virar bicha. Ouvir isso era
desconfortável, pois ele era seu primo e eles tinham um bom relacionamento
desde a infância. Mas, o pior era ver o nojo na cara dos seus pais e eles
dizendo que ele tinha morrido para eles. Enquanto a família margarina
concordava.
Como defende-lo para pessoas
que são incapazes de ouvir? Cada um faz da vida o que quer. Isso seria visto
como uma afronta pessoal e nunca um diálogo. Talvez seja, por isso, que nunca
falou que ia ao psicólogo para não ser visto como fraco e demente, bastava os
julgamentos desde a infância.
Apanhar e ouvir do seu próprio
pai que, ele não era forte, e por isso, macho o suficiente, era por demais
doloroso. E, que era mil vezes melhor, se ele tivesse nascido mulher, para não
o envergonhar por ser franzino, e nunca ganhar uma luta.
2 comentários:
👍 Muito bom!😃 Continue assim 🙏
Ótimo amei.😍
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