sábado, 13 de agosto de 2011

Satisfação em Aprender e Ensinar

Satisfação em Aprender e Ensinar

Revista Terceira Civilização Ed. 400 - 01/12/2001 - Página 9 matéria escrita por Marilene Avelino da Silva de Senne, pedagoga

Conforme consta em dicionários da Língua Portuguesa, satisfação quer dizer contentamento, prazer do que se espera; aprender significa adquirir conhecimento, ficar sabendo, instruir-se; se tornar apto e; ensinar é transmitir conhecimento, instruir, educar, doutrinar. Assim, concluiríamos que a satisfação em aprender e ensinar seria o contentamento em adquirir conhecimento e transmitir ao outro. No entanto, quando tratados do ponto de vista das ciências da Educação, esses termos alcançam dimensão mais complexa.
A satisfação pessoal varia de pessoa para pessoa e de época para época, ligada muitas vezes a necessidades geradas por fatores extrínsecos, não essenciais ao real bem-estar do ser humano. Os estudantes, por exemplo, freqüentemente precisam escolher entre a realização das atividades escolares e os apelos da dispersão e fantasias amplificados pelo “marketing”. Infelizmente, quase sempre é a escola que fica em segundo plano. Assim, uma das inquietações educacionais é a de superar o desafio de despertar o interesse dos alunos para a aprendizagem, tendo que considerar, dentre outros aspectos, características etárias e individuais e as expectativas para que haja satisfação.
O ser humano, já adolescente, é capaz de pensar de maneira completamente lógica, formular hipóteses, testá-las e revisar as proposições iniciais à luz dos resultados obtidos. Segundo o pesquisador Howard Gardner,1 mais do que conseguir dar respostas certas, quem aprende demonstra habilidade em elaborar perguntas intrigantes, contestadoras, fundamentadas em argumentos coerentes. Aprender, portanto, implica na disposição de observar, ter curiosidade para entrar em contato com novas experiências e novos conhecimentos. Os valores que permeiam esse processo delineiam o comportamento, resultando em feitos impregnados de significado. Assim, é necessário um ambiente livre de repressão e de interferência direta; um espaço de liberdade e confiança, alegria e prazer, tanto para o aluno como para o professor, mediado pelo segundo. Nesse contexto, o sentimento de realização do professor é decisivo. Faz-se necessário, ainda, que os adultos ensinem aos mais jovens sobre o valor da vida como uma verdadeira jóia rara. Isto fica muito claro nos princípios da educação Soka, principalmente com a afirmação do presidente Ikeda de que nossas crianças precisam muito mais do que sermões vazios sobre virtude e que, como adultos, devemos de alguma forma demonstrar-lhes no dia-a-dia, como viver uma vida melhor.2
Tenhamos, então, a disposição de preparar as novas gerações, colocando-as ao nível dos anseios de humanização que faz com que o século que se inicia seja intitulado “O Século da Cultura de Paz”. 

Notas:
1. Gardner, Howard. Estrutura da Mente. A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1994.
2. Cf. Ikeda, Daisaku. “Construindo uma sociedade que sirva às necessidades fundamentais da educação”. Terceira Civilização, edição no 391, março de 2001, págs. 6–15.

 

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